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Depoimento

Prof. Ismael Segundo da Silva Carrasco (UnB)

Minha história com o departamento de Física da UFV iniciou em 2006, quando ingressei na graduação. Nessa época, não tinha o hábito de dedicar muito tempo do meu dia aos estudos. Na verdade, eu nunca tive hábito de estudar durante minha passagem pelo ensino fundamental e médio, tanto é que meu diploma de ensino médio é de um supletivo (anexo), pois havia sido reprovado em matemática e física diversas vezes. No início da graduação, fiz amizade com um conjunto grande de pessoas em um intervalo de tempo muito curto, que criou uma certa euforia em participar do máximo de comemorações possíveis. Evidentemente, a combinação desses fatores me fez ter um péssimo desempenho acadêmico no início do curso.


Em torno do terceiro e quarto semestre, eu e minha turma de colegas, que também estavam atrasados nas disciplinas, costumávamos brincar dizendo que o fim do ciclo básico é a hora ideal pra trocar de curso. Ir para alguma engenharia e aproveitar os cálculos e as físicas. Contudo, eu não tinha vontade de trocar de curso, realmente gostava de física, quando me dedicava conseguia tirar notas boas, o problema era minha falta de disciplina. Após os primeiros dois anos eu já havia mudado muito, já me dedicava bem mais aos estudos, mas ainda tinha dúvidas se seria capaz de formar em física. Do quinto semestre em diante, as aulas deixavam de ser nos pavilhões e começavam a ser no CCE. Nesse ponto, passei a frequentar mais a sala de estudos do departamento de física, lugar onde eu discutia com os colegas sobre as matérias e relaxava durante os intervalos. No sexto semestre, comecei a trabalhar com o professor Márcio. Na época, ele tinha sido contratado a pouco tempo e ainda estava montando o laboratório. Lembro como se fosse ontem da instalação dos pés da mesa óptica e do dia em que aquela pedra pesadíssima foi cortada e ajustada nas mesas, dele e do Álvaro Viana, foi uma operação “dramática”.


Na metade seguinte do curso (demorei 12 semestres para formar), eu passava o tempo integral no CCE, ia embora na hora de dormir e voltava cedo no dia seguinte. Até os momentos de lazer costumavam ser no próprio departamento, como já estávamos todos lá, era mais fácil que combinar em algum outro lugar. Eu, Marco Antônio, Alberto Luiz, João Henrique e o Robson Gobbi viramos diversas noites de sexta na sala de estudos jogando RPG. Nessa época, meu desempenho acadêmico alcançou um patamar mais elevado, minhas notas no restante do curso foram na maioria acima de 80%. Considerando que o meu diploma de ensino médio era de um supletivo, é impressionante como o departamento de física conseguiu transformar um jovem disfuncional em um aluno com boas expectativas acadêmicas.


Também realizei o mestrado e doutorado em física na UFV. Como sempre tive muita afinidade com computadores, decidi trabalhar com simulações sob orientação do professor Tiago no mestrado e continuei no doutorado. A minha pós graduação foi marcada por uma convivência muito agradável com os colegas. Todos os dias ia um grupo de quase vinte pessoas almoçar juntos, esse era o nosso momento de relaxar e jogar conversa fora. Viajamos juntos para diversos congressos, e no intervalo entre a programação dos eventos, sempre encontrávamos tempo para aproveitar bastante. Um dos eventos que com certeza vai ficar na memória de todos por muito tempo, foi o encontrão em natal (foto anexa). Mantivemos o costume de realizar nossos momentos de lazer no departamento mesmo. Lembro que na fatídica semi-final do Brasil versus Alemanha estávamos no CCE com um olho nos cadernos e outro acompanhado o jogo. Fizemos tanta bagunça nesse dia que um dos professores foi até a nossa sala “puxar nossa orelha”.


Minha relação com os professores do departamento sempre foi muito boa. Ao longo da graduação, o trabalho de iniciação científica com os professores Márcio, Ésio e Maximiliano rendeu bons frutos. Outro professor que marcou esta primeira etapa foi o Silvio. Fiz diversas disciplinas com ele em todos os assuntos, Métodos Matemáticos, Eletromagnetismo, Quântica, Física Estatística, além de algumas optativas. Durante o curso, o aluno tende a reclamar da cobrança dos professores, mas hoje percebo como o alto nível exigido foi importante na minha formação. Outro professor com o qual tive uma relação muito boa foi o Winder, tanto nas aulas quanto fora delas, pois de vez em quando ele encontrava conosco pra jogar truco e tomar uma cerveja. Por último, porém mais importante, foi a minha relação com o Tiago durante a pós graduação, na qual o alto grau de cobrança culminou em um bom desempenho, visto que meu trabalho recebeu o prêmio da Sociedade Brasileira de Física de melhor Tese de Doutorado na Área de Física Estatística e Computacional de 2019 (segue uma foto que tiramos para a divulgação). Combinada a essa cobrança, também houve uma boa relação fora do departamento, a gente saiu junto diversas vezes para tomar umas cervejas e até hoje mantemos contato frequente. Até as nossas esposas se dão muito bem, inclusive, desconfio que a Lucimar decidiu engravidar quando soube que a Mariana estava grávida.


De novo, comparando o nível que entrei na graduação em 2006 com o que saí do doutorado em 2018, o departamento conseguiu induzir uma grande transformação, talvez uma “transição de fase”. Hoje, pouco tempo depois de tudo isso, já sinto saudades da época de graduação e pós graduação na UFV, com certeza foi uma das melhores fases da minha vida.

Prof. Ismael Segundo da Silva Carrasco.
Núcleo de Física Estatística e Matemática.
Instituto de Física – UnB.


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